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Mostrando postagens de maio, 2013

Trabalho infantil não precisa ser hereditário

Por Fe rnanda Sucupira e Leonardo Sakamoto  BRASÍLIA – Trabalhei cedo e isso moldou meu caráter. A frase é repetida à exaustão quando se critica o trabalho infantil no Brasil. Compreensível, uma vez que muita gente sente que sua experiência de superação é bonita o suficiente para ser copiada pelos filhos. Mas será que os defensores do trabalho infantil não percebem que ele não precisa ser hereditário? Para fortalecer essa discussão foi lançado, na última semana em Brasília, o   relatório “Brasil Livre de Trabalho Infantil: o debate sobre as estratégias para eliminar a exploração de crianças e adolescentes” . É um levantamento detalhado da ONG Repórter Brasil. O documento foi apresentado à Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos. Passado um primeiro momento de arrancada na prevenção e eliminação do trabalho infantil no Brasil, do início da década de 90 até meados dos anos 2000, o país enfrenta um novo desafio para manter o ritmo de queda. Enquanto a primeira ...

“Às vezes, criança: um quase retrato de uma infância”

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Vender sua laranja até se acabar Filho de mãe solteira Cuja ignorância tem que sustentar Compra laranja, laranja, laranja, doutor Ainda dou uma de quebra pro senhor!” (“O Menino das Laranjas” – Théo de Barros,  música   interpretada por Elis Regina) Elis Regina eternizou o “menino das laranjas”, quando, com sua voz, trouxe à luz a história do garoto que todo dia acorda cedo para vender frutas e ajudar a mãe no sustento do lar. A música, composição de Theo de Barros, narra e repercute, já em 1965, um caso de exploração do trabalho infantil. Passados quase 50 anos, a canção ainda hoje toca nas rádios. Chama a atenção para um problema que, no dia a dia, persiste na cidade e no campo, mesmo despercebido, e sob outras formas: crianças que trabalham,   em feiras, inclusive , por todo o Brasil. Em certos contextos, a arte costuma ser o campo que expressa e reflete as contradições, valores e aspirações de uma sociedade, ao mesmo tempo em que t...

Aos 125 anos da abolição, historiadora defende importância de combate à escravidão contemporânea Para a professora Angela Maria Gomes, associar a escravidão antiga à sua forma contemporânea dimensiona de modo claro a violência contra a dignidade humana

Nesta segunda-feira, 13 de maio, celebra-se os 125 anos da Abolição no Brasil. A escravidão, porém, está longe de acabar no país. Nesta entrevista exclusiva, Angela Maria de Castro Gomes, professora do departamento de História do Brasil da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas, defende a importância de se chamar a atenção para  esta violação que, apesar de abolida oficialmente, continua presente, sob novas formas. Ela defende o conceito de “trabalho escravo contemporâneo”, e afirma que sua  dimensão política e simbólica deve ser ressaltada. ”É inaceitável que pessoas ainda trabalhem e vivam submetidas a esse tipo de condição”, diz. O trabalho escravo contemporâneo no Brasil está definido pelo   artigo 149 do Código Penal  e é crime. Ela ressalta que o conceito foi estabelecido  a partir do engajamento de atores sociais em uma disputa política na sociedade brasileira, e deve ser valorizado por “faz...

Ruralistas e a existência do trabalho escravo no Brasil: a negação da verdade

A sociedade que emerge não cabe no horizonte ruralista, pois implica em convivência, em distribuição e democratização de direitos. A Casa Grande persiste, embora agora tenha internet e luz elétrica Há tempos que a música de Vital Farias foi composta. Em 1982, o Brasil clamava pelo fim da ditadura militar, a sociedade efervescia desejando a volta do regime democrático, movimentos se organizavam em todos os locais. Um metalúrgico liderava o movimento sindical, as lutas nas portas das fábricas ganhavam manchetes no mundo todo. Um novo ciclo se abria na história do Brasil. A luta de classes avançava e conquistava novos direitos sociais e trabalhistas. O modelo de desenvolvimento econômico acentuava a dependência do financiamento externo. Após duas crises do petróleo, na década de 1970, o país estava à beira de um colapso financeiro e precisava urgentemente de recursos para pagar a importação de combustíveis. O Brasil foi salvo por um cheque do Fundo Monetário Internacional. O pres...