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Mostrando postagens de julho, 2013

O que é trabalho escravo

Escravidão contemporânea é o trabalho degradante que envolve cerceamento da liberdade. A assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, representou o fim do direito de propriedade de uma pessoa sobre a outra, acabando com a possibilidade de possuir legalmente um escravo no Brasil. No entanto, persistiram situações que mantêm o trabalhador sem possibilidade de se desligar de seus patrões. Há fazendeiros que, para realizar derrubadas de matas nativas para formação de pastos, produzir carvão para a indústria siderúrgica, preparar o solo para plantio de sementes, entre outras atividades agropecuárias, contratam mão-de-obra utilizando os contratadores de empreitada, os chamados “gatos”. Eles aliciam os trabalhadores, servindo de fachada para que os fazendeiros não sejam responsabilizados pelo crime. Esses gatos recrutam pessoas em regiões distantes do local da prestação de serviços ou em pensões localizadas nas cidades próximas. Na primeira abordagem, mostram-se agradáveis, portadores de...

Para onde vai o governo?

As históricas mobilizações do mês de junho mudaram o cenário da política brasileira. Elas introduziram na cena pública, depois de  décadas de ausência, o cidadão indignado. Até agora mais de 2 milhões de pessoas foram às ruas em 438 municípios protestar contra a condição insuportável da vida nas cidades. Concretamente elas se insurgem contra a precariedade ou ausência de transporte público, educação, saúde, segurança pública, saneamento e tantas outras coisas que consubstanciam o direito à cidade. E, olhando para os investimentos da Copa e das Olimpíadas, querem um tratamento “Fifa” para suas demandas. A insensibilidade ou incapacidade política dos governos, em todas as esferas, de negociar com os movimentos só fez complicar mais as coisas. Num primeiro momento, o autismo do Congresso é sua expressão maior. Agora, depois da tentativa dos movimentos de o invadirem e a pressão direta das ruas continuar, os parlamentares apressam-se a desengavetar e aprovar projetos de interesse ...

Porque eu gosto das segundas-feiras

Marcelo Badaró Mattos Professor da História da Universidade Federal Fluminense (UFF) “And then the bullhorn crackles, And the captain crackles, With the problems and the how's and why's. And he can see no reasons 'Cause there are no reasons (...) Tell me why? I don't like mondays” Bob Geldof  “Que tempos são esses, quando falar sobre flores é quase um crime. Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?” Bertolt Brecht “Já se sentem no ar os cheiros da primavera” Osvaldo Coggiola             Segunda-feira, 17 de junho de 2013, Rio de Janeiro, Brasil. Centenas de milhares de pessoas foram às ruas em diversas cidades de todo o país na tarde/noite de hoje. Muitas ainda estão pelas ruas quando escrevo estas linhas. No Rio de Janeiro foram mais de 100 mil manifestantes, a enorme maioria deles (as) jovens, mas também alguns(mas) veteranos(as) de tempos em que passeatas dessas dimensões eram ma...