Professores do ensino privado se mobilizam por valorização

Mobilização visa denunciar o excesso de trabalho a que são submetidos os professores da rede particular

18/10/2013
Viviane Araújo,
de São Paulo (SP)
A partir deste domingo (20), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) organiza uma mobilização para denunciar o excesso de trabalho a que os professores da rede privada de ensino estão submetidos. “Queremos denunciar para a sociedade que o professor está trabalhando de segunda a segunda. Ele não tem tido mais o descanso ao qual tem direito”, afirma Madalena Guascco Peixoto, coordenadora-geral da Contee. O protesto ocorrerá no domingo para simbolizar o desrespeito ao dia de descanso do professor.
A reivindicação é que a jornada de trabalho do professor contemple atividades extraclasse, de modo que estas sejam realizadas de segunda a sexta-feira, e não aos finais de semana, e que sejam remuneradas. Hoje, o profissional é remunerado por hora/aula e não recebe pelo trabalho que a instituição cobra que seja realizado aos sábados e domingos. Segundo Madalena, “as escolas exigem que o professor, por exemplo, lance as notas de centenas de provas no site no fim de semana para que na segunda-feira os alunos já possam consultar sua média”. Elaboração e correção de provas e trabalhos são exemplos de atividades que não estão previstas na jornada de trabalho.
Madalena fala da “superexploração” de um trabalho que não é remunerado e afirma: “isso está mexendo com a saúde do professor”. O estresse e a perda de convívio familiar prejudicam o profissional psicológica e fisicamente, além de comprometer a qualidade do seu trabalho. “O professor se cansa muito e isso diminui a qualidade do preparo das aulas, por exemplo”, conclui. Outra reivindicação é impedir que os sites das escolas funcionem durante o final de semana. Em alguns estados, o Ministério Público proibiu que as escolas mantenham o site “aberto” nestes dias.
Diferente do ensino público, o setor privado não possui regulamentação. Os professores não têm plano de carreira, piso e jornada de trabalho definidos. A coordenadora diz que “as condições da rede privada, em geral, são vistas pelas pessoas como melhores que na rede pública, mas é uma ilusão da sociedade brasileira.” Há professor no nordeste, diz ela, que ganha R$ 10 hora/aula na rede privada.
Os sindicatos irão promover atividades diferentes, voltadas para os professores e sua família. O material da campanha está disponível no site da Contee e o slogan é “no dia 20 de outubro, os professores farão qualquer coisa que queiram, menos trabalhar.”
Confira algumas ações:
Sinpro Campinas
Caminhada na Lagoa do Taquaral, seguida de um almoço na sede do sindicato para o professor e sua família. A concentração será a partir das 8h30 no Centro do Professorado Paulista, em frente à Lagoa do Taquaral, em Campinas.
 Sinpro-Noroeste, de Ijuí (RS)
Encerrará o dia de mobilização levando os professores para assistirem a peça teatral “Reviravoltas do Coração”, cujos ingressos, gratuitos para sócios e família, podem ser retirados na secretaria do sindicato até o dia 18 de outubro, às 17h.
 O Sinpro, de Belém (PA)
Convida os professores para um domingo de lazer na Associação Recreativa dos Correios, em Belém.
 O Sinproeste, de Chapecó (SC)
Convoca os professores para uma paralisação no domingo (20/10) e a partir das 16h os docentes entregarão panfletos na Avenida Getúlio Vargas, no calçadão nas proximidades da loja Havan, no centro de Chapecó, onde também debaterão sobre a categoria e seus direitos.



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