Protestos pelo país querem barrar projeto de terceirização do trabalho
As manifestações desta
terça-feira (7) são promovidas pela CUT, MST, UNE e CMP; além da pauta contra o
PL 4330, os atos pedem democratização dos meios de comunicação e da política.
Ponto de conflito entre
trabalhadores e empresários, o Projeto de Lei da Terceirização (PL 4330/04) tem
previsão de ser votado na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (7). Contrária
ao projeto, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) prepara uma mobilização no
mesmo dia em diversos estados. A série de protestos é uma construção entre
organizações sindicais e movimentos sociais e conta ainda com outras
reivindicações.
O que está em jogo no PL 4330 é a
abertura para a contratação de terceirizados em qualquer atividade – seja ela
intermediária ou final do processo produtivo – de uma empresa pública ou
privada. Ou seja, tira a responsabilidade direta da empresa principal com o
conjunto dos empregados. Para o juiz e professor em Direito do Trabalho da
Universidade de São Paulo (USP), Jorge Luiz Souto Maior, o objetivo deste
projeto de lei é permitir a terceirização de qualquer trabalho, e “se pode
haver a terceirização de tudo, ela deixa de ser uma exceção e passa a ser uma
regra”.
Na opinião da CUT e de outras
organizações sindicais, a terceirização prejudica os trabalhadores. Dados do
Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese),
de 2011, apontam que o trabalhador terceirizado fica 2,6 anos a menos no
emprego, tem uma jornada de três horas a mais por semana e tem ganho salarial
27% menor. Além disso, a cada dez acidentes de trabalho, oito ocorrem entre
terceirizados.
Já o setor empresarial se
mobiliza pela aprovação do projeto, como as confederações nacionais da
indústria (CNI), de comércio e serviços (CNC), da agricultura (CNA) e do
transporte (CNT). “A terceirização é uma das técnicas de administração do
trabalho que têm maior crescimento”, justifica o empresário e propositor do
projeto, Sandro Mabel (PMDB-GO).
Segundo Souto Maior, a
terceirização não faz parte da “engenharia da produção”, mas tem servido “para
segregar e discriminar pessoas, criar situações de precarização, gerar
perversidade no ambiente de trabalho. Além de dificultar a sindicalização e a
luta por melhores direitos trabalhistas, gerando uma competição entre os
trabalhadores”.
O impasse é tão grande entre a
bancada de parlamentares que representa os trabalhadores e a bancada do
empresariado, que o projeto tramita há mais de dez anos no Congresso. O PL 4330
foi proposto em 2004.
Na última semana, representantes
de centrais sindicais se reuniram com o relator do projeto, deputado Arthur
Maia (SD-BA). A proposta do parlamentar foi a de alterar três itens do texto,
porém, manter a terceirização em todas as atividades produtivas, que é o
principal ponto de discórdia.
Os itens que sofrerão alterações,
ainda a serem discutidas, são os referentes à sindicalização unitária, à
responsabilidade solidária das empresas contratantes de terceirizados e à
chamada “quarteirização”, empresas sem empregados que utilizam serviços
terceirizados e até de empresas que também terceirizem seus empregados.
Fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/31741
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