Trabalhadores denunciam descontrole das terceirizações na Imprensa Oficial de MG
A
denúncia das contratações ilegais é alvo de um inquérito civil no Ministério
Público de Minas Gerais, alegando o descumprimento da Lei Delegada nº 175, de
26 de janeiro de 2007
Há
mais de 120 anos estava sendo criada a primeira entidade dedicada a dar
transparência e visibilidade às ações dos governantes em Minas Gerais , a
Imprensa Oficial (IOMG). De lá pra cá, já foram milhões de edições do Minas
Gerais, publicação responsável pelas informações oficias do estado. Figuras
ilustres como Carlos Drummond de Andrade e Murilo Rubião também já fizeram
parte da equipe da Imprensa Oficial.
Os
dias atuais, no entanto, não refletem mais a importância dedicada outrora para
a transparência das atividades do poder público. Isso é o que aponta o
Sindicato dos Servidores da Autarquia da Imprensa Oficial do Estado de Minas
Gerais (Sindiof), que denuncia o desmonte da instituição.
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Atualmente,
a Imprensa Oficial tem 381 funcionários. Destes, apenas 125 ocupam cargos
efetivos. Outros 58 são fruto de recrutamento amplo e 198 estão contratados
pela prestadora de serviços MSG. Ou seja, a maioria dos funcionários da IOMG
não são funcionários do estado, mas operam em uma instituição pública.
Com
isso, diretores do Sindiof denunciam que é tratado como natural o fato de
funcionários contratados, ou seja, terceirizados, exercerem atividades-fim na
entidade. Tadeu Inácio, diretor jurídico do sindicato, conta que a falta de
controle com as contratações é tão grande que chega ao ponto de serem
encontrados funcionários da MGS com carteira de trabalho e direitos
trabalhistas assumidos pela Imprensa Oficial.
“Ele
está ocupando uma função que é por lei de um servidor público. Na maioria das
vezes, os contratados não preenchem os requisitos mínimos necessários. Isso é,
na verdade, uma forma de apadrinhar os parentes políticos”, aponta Tadeu.
Processo
A
denúncia das contratações ilegais é alvo de um inquérito civil no Ministério
Público de Minas Gerais, alegando o descumprimento da Lei Delegada nº 175, de
26 de janeiro de 2007. O processo se une a outros dois que correm no MPMG, onde
o sindicato aponta irregularidades que vão desde o “desleixo” no armazenamento
do arquivo histórico da IOMG até possíveis irregularidades em contratos com
empresas prestadoras de serviço.
Serviços
contratados pela Imprensa Oficial para a CONBRAS-Engenharia, no fim de 2012, o
valor total foi de R$1.871.999,00. Advogados do sindicato denunciam que termos
aditivos ao contrato elevaram em mais de R$200 mil reais o serviço de
manutenção predial e em equipamentos. “Como pode uma coisa dessas? Você fecha o
contrato em um valor e depois dos termos aditivos fica em quase o dobro. Isso deve
ser investigado”, indigna-se Denilson Marins de Matos, presidente do Sindiof.
Ele
afirma ainda que a prestadora CONBRAS tem uma sala própria dentro da IOMG, com
computadores e outros equipamentos de propriedade do poder público, além de
fazerem uso constante dos veículos e motoristas da entidade.
Perseguição
O
presidente do Sindiof, Denilson, e o diretor Tadeu contam ao Brasil de
Fato MG que frequentemente têm sido alvo de perseguição dentro da
entidade. No dia sete de maio, foi publicado no Minas Gerais a
transferência de setor de ambos os funcionários, sem aviso prévio ou
justificativa. Os dois estão sendo mandados para serviços operacionais,
considerados abaixo do cargo que ocupam atualmente na instituição. Os
sindicalistas apontam que o Diretor-Geral da IOMG, Eugênio Ferraz, é principal
responsável pela peseguição.
“Essa
transferência foi por causa dos inquéritos no MPMG. Depois que o diretor
começou a ser questionado sobre as investigações as perseguições começaram”,
diz. Ele reforça que as avaliações recebidas pelos dois funcionários nas
funções que ocupavam anteriormente foi de notas máximas nos último anos, o que
reforça a capacitação.
Por
orientação do jurídico do sindicato, os diretores não deixaram suas funções, e
agora lutam para garantir seus diretos e os de todos os trabalhadores da IOMG.
“As irregularidade na IO vêm de longa data, passam de governo para governo. Mas
nos últimos anos com a nomeação do Eugênio a coisa estrapolou. É muita
transgressão de lei para pouco tempo, tudo é permitido”, conclui Tadeu.
Denilson
diz que a luta é por melhorias nas condições de trabalho e do serviço prestado.
“Queremos saber pra onde está indo o dinheiro público, com essas contratações
indevidas e essas irregularidades em prestação de serviço. A gente busca
construir um concurso público, que o dinheiro seja investido para melhorar a
carreira dos servidores e o serviço prestado á população”, finaliza.

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