RH ameaça trabalhadores em greve por falta de pagamento: 'mercado não está fácil'
Adolescentes tiveram que limpar uma unidade de ensino em Peruíbe (SP) por conta da greve de funcionários da limpeza. Prestadores de serviços reclamam de atraso no pagamentos.
Por g1 Santos
Funcionários que atuam na limpeza das escolas municipais de Peruíbe, no litoral de São Paulo, sofreram ameaças após fazerem uma paralisação por conta de um atraso no pagamento dos salários e benefícios. Uma imagem obtida pelo g1 nesta quinta-feira (19) mostra um funcionário de uma empresa de Recursos Humanos, responsável pela terceirizada, perguntando se eles 'conseguiriam outro emprego'. Com a suspensão das atividades, os alunos tiveram que limpar a unidade com vassouras, rodos e produtos de limpeza.
A Prefeitura de Peruíbe explicou que mesmo sem ter atrasado o pagamento, a empresa terceirizada não repassou o valor do salário, vale-alimentação e refeição para as funcionárias. Por este motivo, as prestadoras de serviço realizaram a paralisação nos dias 9, 10 e 11.
Elas voltaram às atividades no dia 11, quando o salário foi pago cinco dias depois da data correta, sem multa de atraso. O vale-alimentação foi recebido na sexta-feira (13) com quase um mês de atraso. Já o vale-refeição está há 13 dias atrasado. Portanto, caso não seja pago, a paralisação será retomada nesta quinta-feira (19).
"E vocês? Será que vão conseguir um emprego? Informação que eu tenho [é de que] o mercado de trabalho em Peruíbe não está fácil", disse um funcionário.
Segundo apurado pela reportagem, o funcionário é da empresa Soluções Recursos Humanos LTDA, que não respondeu o g1 até a última atualização desta reportagem.
Alunos limpam escola
Por conta da paralisação, alunos da na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Prefeito José Roberto Preto limparam a unidade. Segundo apurado pela reportagem, outras escolas chegaram a ser limpas por professores, diretores e estagiários, já que os funcionários que paralisaram as atividades são contratados de uma empresa que presta serviço para todas as escolas municipais da cidade.
Uma funcionária da limpeza contou ao g1 que, quando voltaram da paralisação, a escola estava muito suja e com lixo espalhados. Outra prestadora acrescentou que é um absurdo os alunos limparem a unidade de ensino. Elas preferiram não se identificarem por medo de represálias.
"Os diretores teriam que apoiar a gente e não usar as crianças para fazerem esse papelão. É uma vergonha uma firma que diz ser de prestígio não ter condições de pagar as funcionárias para trabalhar [...]. Na verdade, caberiam aos pais desses alunos abrirem um processo", afirmou uma delas.
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