Indústria: emprego é o pior em 2 anos.

Recuo chegou a 0,7% em fevereiro. CNI revisa para baixo avanço em 2012.

RIO, SÃO PAULO e BRASÍLIA. O emprego industrial apresentou, em fevereiro, o pior desempenho dos últimos dois anos: as vagas do setor encolheram 0,7% ante fevereiro de 2011 - o quinto resultado negativo e o mais forte recuo desde janeiro de 2010 (-0,9%). Frente a janeiro de 2012, contudo, em vez de queda, o que se nota é praticamente uma estagnação, com ligeira alta de 0,1%. No primeiro bimestre do ano, o indicador é negativo, com queda de 0,6% frente ao mesmo período de 2011. Os dados são do IBGE.

- A pequena alta acompanha a variação da produção em fevereiro - disse Fernando Abritta, pesquisador do IBGE.

O valor da folha de pagamento, entretanto, subiu 1,3% frente a janeiro. Pesou o crescimento de 22% no rendimento dos profissionais do setor extrativo, por causa do pagamento de participação nos lucros e resultados em empresas do setor.

Segundo a Fiesp, no mês passado a indústria paulista teve um saldo de 4,5 mil demissões, o pior resultado para um mês de março desde o início da pesquisa (em 2006). O nível de emprego da indústria paulista caiu 0,87% em março, na comparação com fevereiro (com ajuste sazonal). Na série sem ajuste sazonal, o tombo foi de 0,18%.

- Foi um mês de março atípico, assim como no acumulado dos três meses (que registrou variação zero) - afirmou o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francine.

A Fiesp estima que o nível de emprego na indústria de transformação de São Paulo fique negativo em 2012 ou, na melhor das hipóteses, estagnado.

E o setor industrial prevê crescimento menor neste ano, mesmo após o anúncio do pacote de mais de R$ 60 bilhões. A Confederação Nacional da Industria (CNI) revisou estimativa de expansão de 2,3% para 2%. Isso porque as medidas não conseguem combater imediatamente problemas estruturais que aniquilam a competitividade das empresas frente os importados.

- O pacote não tem efeito para trás - disse Flávio Castelo Branco, economista da CNI.

As principais medidas anunciadas pela equipe econômica só terão efeito no segundo semestre, principalmente a mais esperada delas: a desoneração da folha de pagamento.

Para Castello Branco, a dificuldade do setor vai além da crise externa. Segundo ele, os custos domésticos cresceram acima da inflação. Em suas contas, o peso dos impostos sobre a economia está em torno de 36%.

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