Esquerda francesa celebra queda de Sarkozy: “nós o demitimos”
Militantes também já começaram a cobrar Hollande por medidas de fato progressistas.
“Nós o demitimos”, bradava, exultante, Mélenchon, quarto colocado no primeiro turno com 11% dos votos, o melhor resultado de um partido de esquerda em décadas, logo após a vitória do Partido Socialista, do qual fez parte até 2008, ser anunciada.
“Assim está paga a conta pelo fosso em que se colocaram as conquistas sociais e os serviços públicos de nossa República (...) A derrota da direita e a eleição de François Hollande representam a vitória das exigências agudas que nós exprimimos”, afirmou, enquanto o público gritava “resistência!”. Em seguida, convidou os militantes a se dirigirem à Bastilha para marcar presença.
“Muitas das pessoas que se encontram na Bastilha votaram, na verdade, contra Sarkozy. E nosso lugar é ao lado delas.Não vamos comemorar a vitória de Hollande, mas a queda de Sarkozy” explica Laurence Sauvage, secretário nacional do PG (sigla em francês do Partido de Esquerda), uma das legendas que formam a coalizão, a caminho do principal centro de manifestações.
“Após cinco anos de ruptura democrática, o povo finalmente tira Sarkozy do poder. Começa um período de importantes exigências. Devemos ampliar a derrota da direita nas legislativas (que serão disputadas nos dias 10 e 17 de junho) com muitos deputados da Frente de Esquerda. Nada termina esta noite, apenas começa”, afirmou Marie-George Buffett, antiga presidente do PCF (Partido Comunista Francês), principal partido que forma a coligação.
“É um grande alívio. Cinco anos a mais de Sarkozy e começaríamos a perguntar aonde chegaria o país, sobretudo após esses meses de ódio e divisões. É uma imensa felicidade poder vê-los sofrer”, admitia Ian Brossard, deputado parisiense pelo PCF.
Cobranças
Muitos militantes de esquerda fizeram questão, em canções ou cartazes, de lembrar algumas promessas do candidato vencedor e outras exigências, como o salário mínimo a 1.700 euros ou a volta da idade de aposentadorias aos 60 anos (contra os 65 estipulados por Sarkozy).
Muitos membros do já falavam em derrubar Hollande nas urnas, após terem feito o mesmo com Sarkozy nas urnas. “O mais importante agora é enviar uma mensagem a Hollande: em seu discurso, entendemos que ele não vai muito além do Tratado de Lisboa e na luta contra o sistema financeiro. Estamos aqui (na Bastilha) para dizer que nós não faremos concessão de nada”, afirmou Fréderique, uma jovem militante do PG.
A Frente de Esquerda não nutre simpatia por Hollande ou pelo Partido Socialista, considerados moderados demais para realizar as mudanças que de fato, acreitariam fazer diferença no país. Mas sempre consideraram a social-democracia do PS um mal menor do que a direita - principalmente quando esta é encabeçada por um político de perfil agressivo como foi Nicolas Sarkozy nos últimos cinco anos.
Fonte: www.operamundi.uol.com.br
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