Estudantes da PUC dão aula de democracia à Igreja e logo depois, professores também decretam greve.

Alunos decretam greve após escolha para reitora de Anna Cintra, que perdeu eleição 

Na noite desta terça-feira (13) os estudantes da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) ocuparam a reitoria e decretaram greve geral. As ações foram protesto contra a indicação da professora Anna Maria Cintra para reitora da faculdade. A professora foi a última colocada nas eleições democráticas com votos de professores, funcionários e alunos; em segundo lugar ficou o professor Francisco Serralvo e o atual reitor, o professor Dirceu de Mello, venceu com maioria geral. 

A mobilização estudantil foi notável, a nomeação aconteceu na noite da terça-feira, bem próximo a um recesso de 6 dias na universidade devido aos feriados da Proclamação da República e do Dia da Consciência Negra. Uma assembleia foi convocada às pressas e quem acompanha o movimento estudantil nos últimos anos pôde perceber que a adesão foi recorde.

Coletivos

Após a decisão pela ocupação, formaram-se vários coletivos para cuidar da comunicação, segurança e imprensa. Os alunos isolaram os bens dentro da reitoria e catalogaram todo o material presente. Quando uma pessoa pichou a igreja ao lado da PUC, estudantes se mobilizaram espontaneamente para a limpeza da parede e porta de entrada.

Um pouco mais cedo, uma foto foi divulgada na imprensa e dava a entender que os estudantes estavam queimando cadeiras. Mas na verdade o fogo era em uma churrasqueira paralela à barricada simbólica de cadeiras montada para esvaziar as salas e dar fôlego à greve geral. Quando a chuva ameaçou cair, alguns meninos arrumaram uma lona para proteger as carteiras empilhadas no Pátio da Cruz, tamanha era a preocupação em não danificar o patrimônio da PUC-SP.

Assembleia

Logo pela manhã dessa quarta (14), nova assembleia foi convocada com a participação de funcionários e professores. Decidiu-se pela desocupação e entrega simbólica da reitoria ao atual reitor e reeleito democraticamente, Dirceu de Mello.

A greve geral continua e novas atividades devem ser chamadas, como o escracho ao cardeal dom Odilo Scherer. Uma audiência pública também deve acontecer com a comunidade puquiana, no Tuca, na próxima quarta-feira (21); estudantes, funcionários e professores devem fazer o convite ainda nessa quarta (14) à professora Anna Cintra e a dom Odilo.

Piora

A comunidade da PUC-SP reclama de forte piora nas condições de trabalho e ensino nos diversos setores da universidade, com a 
constante terceirização de funcionários, a maximização dos contratos dos professores (que faz com que eles tenham menos tempo para preparar as aulas, tendo que trabalhar mais horas pelo mesmo salário) e represamento de salários faz com que a qualidade de ensino sofra.

Em contrapartida, as mensalidades estão constantemente aumentando com preço proibitivo para grande parte dos estudantes. O regime de bolsas, em sua maioria, depende do financiamento estudantil (Fies) ou Prouni.

Essa é a terceira ocupação de reitoria na PUC-SP nos últimos 5 anos e, apesar da desocupação, a greve geral permanece tendo como principal reivindicação a nomeação do candidato eleito democraticamente, Dirceu de Mello.

Professores e funcionários da PUC-SP também cruzam os braços


Os professores da Pontifícia Universidade Católica (PUC), em São Paulo, decidiram na noite de quarta-feira (14) entrar em greve por tempo indeterminado, acompanhando a decisão tomada à tarde pelos funcionários e na noite de terça (13) pelos estudantes da universidades. A assembleia realizada no campus de Perdizes contou com cem docentes, representantes de todos os cursos da PUC-SP. Com isso, os três segmentos estão em greve na PUC-SP. 


O motivo da greve dos professores e funcionários é o mesmo que levou os estudantes a cruzarem os braços: a defesa da democracia na universidade e o respeito ao resultado da eleição para reitor que reelegeu o atual, Dirceu de Mello. Apesar da vitória do atual reitor nas urnas, para o cargo foi indicada a professora Anna Cintra, a menos votada na eleição democrática. A escolha foi feita pelo cardeal dom Odilo Scherer.

"O eixo principal do movimento dos professores é defender a democracia interna, exigir que a Fundação São Paulo respeite o resultado das eleições para a Reitoria e deixar claro que a comunidade não aceita a indicação da professora Anna Cintra", escreveram em comunicado divulgado ainda na noite de quarta (14).

Na quarta, dia 21, quando retornarem do feriado prolongado, está prevista um ato conjunto no Tuca para debater os problemas da universidade e a continuidade do movimento.











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