Petroquímica de Suape: após quebra de acordo, operários param

Os cerca de 50 mil operários que trabalham nas obras da Refinaria Abreu e Lima e da Petroquímica de Suape, em Ipojuca, voltaram a cruzar os braços na manhã da terça-feira (30). Eles alegam o descumprimento, por parte dos patrões, do acordo coletivo celebrado no dia 1º de agosto que prevê a equiparação salarial.



De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada (Sintepav-PE), Leodelson Bastos, a convenção coletiva estabelecia um prazo de 60 dias para que fosse feito um levantamento dos salários pagos a cada função por uma comissão formada por representantes de ambas as partes.

“Esse prazo se estendeu por mais de 30 dias e ainda assim a equiparação não foi feita. Por isso a gente orientou os trabalhadores a cruzarem os braços como forma de protesto e amanhã, às 7h, vamos realizar uma assembleia para votar a deflagração da greve por tempo indeterminado”, disse Bastos.

Na segunda-feira (29), patrões e trabalhadores discutiram o tema da equiparação em uma reunião mediada pelo Ministério do Trabalho. Não houve acordo. Os trabalhadores argumentam que as empresas apresentaram uma proposta de equiparação salarial pela média e não pelo teto, como prevê a convenção coletiva.

Para se ter uma ideia das diferenças salariais existentes nos dois canteiros de obras, tem encanador industrial trabalhando na Petroquímica Suape, pela Odebrecht, ganhando R$ 1.950. Na refinaria, trabalhadores na mesma função recebem R$ 2.360, caso da Alusa.

“É essa disparidade que está criando insatisfação”, completa o assessor do Sintepav-PE. Em nota, o Sindicato Nacional da Indústria da Construção Civil Pesada (Sinicon) considerou a paralisação “inoportuna” e informou que entrará com dissídio junto ao TRT/6ª solicitando a ilegalidade do movimento.

O Sinicon alega que, apesar da convenção coletiva ter estabelecido que uma comissão formada por representantes de ambas as partes iria estabelecer os critérios do estudo de equiparação salarial, o Sintepav-PE se antecipou e contratou o estudo a uma empresa, sem a participação do Sinicon. “O resultado apresentado não foi aceito pelo Sinicon por não atender critérios que viabilizariam uma equiparação justa dos salários, como, por exemplo, tempo de serviço prestado e outros aspectos previstos na legislação”, justifica a nota do sindicato patronal.








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