Sem reajuste, trabalhadores da EBC podem paralisar atividades


Uma carta reivindicando o atendimento dos pleitos dos funcionários foi protocolada nesta quarta-feira (04) nos órgãos do governo federal responsáveis pela EBC
04/12/2012
Da Redação


Com um impasse na negociação salarial deste ano, os trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) aprovaram na quinta-feira (29) indicativo de paralisação e vão decidir em assembleia na próxima sexta-feira (07) se vão parar e quando isso ocorrerá. Todos vestirão preto no dia para marcar o descontentamento com a postura da empresa.

Uma carta reivindicando o atendimento dos pleitos dos funcionários foi protocolada nesta quarta-feira (04) nos órgãos do governo federal responsáveis pela EBC (Presidência da República, Ministério do Planejamento e Secretaria de Comunicação Social) e pelas negociações salariais de servidores e empregados vinculados ao Poder Executivo Federal. Assinam o documento a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e sindicatos dos Jornalistas e Radialista do Distrito Federal e de São Paulo, além da Comissão de Funcionário da empresa.

Atualmente, o salário de jornalista quando entra na empresa é de R$ 3.042, metade do valor pago, por exemplo, pela TV USP. O das funções de radialista é de R$ 1.817. A EBC tem sedes em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e São Luís. A empresa é responsável pela TV Brasil, TV Brasil Internacional, NBR, Agência Brasil, Portal EBC, Radioagência Nacional, além de oito emissoras de rádio, como as Rádios Nacional do Rio de Janeiro e de Brasília e as Rádios MEC AM e FM.

Entenda o caso

Desde setembro deste ano, as representações dos trabalhadores e a direção da Empresa Brasil de Comunicação negociam o Acordo Coletivo 2012-2013. Após a discussão das cláusulas trabalhistas e sociais, chegou-se a um impasse nos itens de natureza econômica. A última proposta apresentada pelos trabalhadores (aprovada na assembleia realizada no dia 29 de novembro) prevê ganho real de 3% e reajustes de 12% no auxílio-alimentação, 30% no auxílio-creche e 50% no auxílio-pessoas com deficiência.

Mas a direção da EBC, após consultas ao governo federal, informou que não seria possível conceder nenhum aumento – nem salarial, nem nos benefícios – acima do índice da inflação. Em 2011, a posição foi a mesma. Mas os trabalhadores fecharam o acordo sem ganho real após apelo da nova gestão da empresa e sob a promessa da revisão do Plano de Carreiras. Isso quando na gestão anterior, comandada por Tereza Cruvinel, houve ganho real em parte importante das negociações do acordo coletivo.

Se for fechada a negociação apenas com o índice da inflação, os trabalhadores terão perdas uma vez que o aumento segundo o IPCA no auxílio-alimentação não vai cobrir a inflação específica da compra de alimentos e das refeições fora de casa. Outro argumento que vem sendo utilizado é o fato de outras empresas estatais terem obtido ganho real este ano.

A última proposta da negociação salarial dos trabalhadores foi entregue à direção da empresa em 30 de novembro. As entidades de classe envolvidas na negociação solicitaram ao presidente da EBC, Nelson Breve, que levasse o pleito ao governo federal e insistisse, mesmo com a sinalização negativa do Ministério do Planejamento para algo acima da inflação.

Nesta terça-feira (04) uma carta foi protocolada na Presidência da República, no Ministério do Planejamento e na Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, esta última órgão ao qual a EBC está institucionalmente vinculada. No documento, os trabalhadores reivindicam que o governo federal valorize a comunicação pública e garanta os recursos necessários para o fechamento do acordo com ganho real no aumento de salário e em outros benefícios.

Fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/11273

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