Investigações contra trabalho escravo aumentam 10 vezes em três anos
Somente em 2013, Ministério Público Federal instaurou 702 procedimentos para apurar denúncias sobre esse tipo de crime no Brasil; Pará lidera a lista
Wilson Lima- iG Brasília | 28/01/2014
06:00:00
O número de investigações solicitadas pelo Ministério Público Federal
(MPF) sobre a ocorrência de trabalho escravo aumentou em dez vezes nos últimos
três anos.
Segundo informações do MPF, no ano passado, o órgão instaurou 702
procedimentos extrajudiciais, contra 73 ações do gênero em 2010, quando as
investigações sobre trabalho escravo passaram a ser de competência da Justiça
Federal.
Os dados serão apresentados oficialmente durante um Ato Público Contra a
Escravidão Contemporânea, nesta terça-feira (28), em Brasília.
Apesar do número de inquéritos instaurados, conforme o Ministério
Público, desde 2010 não houve condenações com trânsito em julgado (quando não
há mais possibilidade de recursos) por ocorrência de trabalho escravo em todo o
Brasil.
Reprodução/Ascom MPF-PA
Trabalhador escravo marcado com ferro quente em fazenda em Paragominas,
no Pará
De acordo com a subprocuradora-geral da República Raquel Ferreira Dodge,
coordenadora da 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, a lentidão da Justiça
dificulta a condenação definitiva por esse tipo de crime. Nas instâncias
inferiores, segundo ela, cerca de 50% dos indiciados por ocorrência de trabalho
escravo sofrem algum tipo de condenação.
Ainda conforme a subprocuradora, o crescimento do número de
investigações instauradas pelo MPF resulta de dois fatores: da intensificação
das ações do órgão contra o trabalho escravo nos últimos anos, aliada à
definição de competência de atuação do MPF sobre esse tema a partir de 2010.
Pelos dados, a maior parte das investigações foi instaurada nos Estados
do Pará, São Paulo, Mato Grosso e Minas Gerais. Pará responde por 121
procedimentos investigatórios; São Paulo, por 72; Mato Grosso, por 63; e Minas,
por 60.
A maioria dos casos de trabalho escravo detectados no Brasil ocorre na
zona rural, em grande parte em fazendas. Mas, o MPF também tem detectado casos
de trabalho escravo na indústria de construção e têxtil.
Ainda de acordo com o MPF, apenas em 2013, a Polícia Federal abriu 185
inquéritos policiais para apurar crimes de trabalho escravo no Brasil, a
maioria em São Paulo. Somente no ano passado, as investigações resultaram em
101 ações penais.
Segundo a subprocuradora-geral da República, existe uma grande
dificuldade no momento da apuração dos crimes de trabalho escravo no País. “As
práticas normalmente são dissimuladas (pelos autores)”, descreve a
subprocuradora-geral.
Durante o Ato Público Contra a Escravidão Contemporânea, o MPF vai
iniciar uma campanha que tem o objetivo de diminuir os casos de trabalho escravo
no Brasil, assim como pressionar o Poder Judiciário nos Estados a dar
celeridade às ações penais instauradas.
Durante essa campanha, o MPF busca com o Conselho Nacional de Justiça
(CNJ) uma alternativa para que sejam estipuladas metas de julgamento das ações
que visem punir os exploradores de trabalho escravo no Brasil.
Um exemplo de impunidade ocorreu na cidade de Paragominas, no sudoeste
do Pará. O proprietário de uma fazenda foi denunciado por não somente ter
trabalhadores em condições de trabalho escravo, como também por marcá-los com
ferro quente como se eles fossem propriedade da fazenda. A denúncia ocorreu em
2008, mas o processo foi arquivado porque o proprietário da fazenda morreu três
anos depois.
Fonte: http://economia.ig.com.br/2014-01-28/investigacoes-contra-trabalho-escravo-aumentam-10-vezes-em-tres-anos.html

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