Uerj: funcionários terceirizados fazem protesto contra salários atrasados
Funcionários da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) fizeram uma manifestação na
manhã desta terça-feira (16/12) em frente à instituição, na Tijuca, Zona Norte
do Rio. O ato, organizado com a ajuda dos alunos da universidade, protesta
contra o atraso no pagamento dos salários dos servidores terceirizados, que já
dura quase dois meses, de acordo com os manifestantes. Os mais atingidos com a
precaridade são os servidores do Hospital Universitário Pedro Ernesto, que fica
em Vila Isabel ,
próximo à Uerj.
O protesto foi organizado em conjunto
pelos Centros Acadêmicos das
cadeiras de Filosofia, Ciências Sociais, Serviço Social e de Geografia, que
ainda denunciam o descaso do Governo do Estado com a conservação da
entidade de ensino. Por volta das 11h30, os manifestantes estavam concentrados
em frente à Secretaria de Estado de Fazenda, na Avenida Presidente Vargas, no
Centro. Com faixas e usando um megafone, a comissão de organização do ato
exigia uma solução do governo quanto a questão.
Em uma comunidade na rede social, identificada como sendo
dos acadêmicos de Filosofia da
universidade, estudantes criticam o abandono do Estado e pedem melhoria na
qualidade dos serviços e respeito aos servidores. "O salário dele
[governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB)] está em dia e sua ceia de Natal
farta, enquanto trabalhadores estão sem acesso à direitos básicos para viver.
As mobilizações das funcionárias da construir sem pagamento continuam na Uerj.
A luta é pelo pagamento integral imediato e a efetivação dos
trabalhadores", diz o texto postado na página do Facebook.
De acordo com a publicação dos
alunos, tanto a empresa Construir Arquitetura, responsável pelas contratações,
quanto o governo do Estado e a reitoria da Uerj, não deram até o momento
nenhuma solução para a questão. Alertam também que os maiores prejudicados com
a falta de pagamento são os funcionários "que são responsáveis por fazer a
universidade funcionar", os estudantes que são atingidos com a
precarização dos serviços e a população que precisa ser atendida no
Hospital Universitário Pedro Ernesto.
"Os salários estão atrasados e eles não nos dão uma
satisfação, fica um jogo de empurra entre governo, a empresa e a reitoria. Até
agora só foi depositado uma parte do décimo terceiro e queremos saber dos
nossos vencimentos. Todo final de ano é a mesma coisa", disse Lenieres
Marques, que trabalha no Pedro Ernesto e é presidente do Sindicato dos
Empregados de Asseio e Conservação do Rio (SEAC). Segundo Marques, há três
anos, pelo menos, o pagamento dos salários sofre atrasos, principalmente no mês
de novembro e dezembro.
Marques afirma que a Construir alegou que não recebeu o
pagamento nem do governo estadual e nem do municipal, como afirmado
anteriormente em reportagem do JB. “Assinar o papel é muito fácil, dizer que
não deve nada também, mas quem está sem dinheiro é o trabalhador”, lamenta.
Na reportagem do JB, publicada no mês passado a
Construir Arquitetura deu uma declaração de que estaria fazendo um “esforço
financeiro” para que o pagamento fosse efetuado ainda no dia 17 de novembro. Em
entrevista ao JB nesta terça (16), o diretor da Construir, Julio
Diniz Pinheiro, explicou que desde junho está encontrando dificuldades para
receber da universidade os pagamentos referentes a vários contratos assinados
com a entidade. "Temos várias promessas de pagamento, mas nada é
repassado. A gente só queria uma parte desse dinheiro para resolver questões
como esta dos servidores do hospital, mas não estamos conseguindo. Sabemos que
a universidade depende do repasse do Estado", disse Pinheiro, garantindo
que os salários estão atrasados por apenas 15 dias.
Segundo o diretor, a empresa já procurou a ajuda de
instituições bancárias, oferecendo como garantia para liberação de empréstimo
as faturas emitidas pela própria Secretaria de Fazenda do Estado para os
serviços executados, mas os documentos não foram aprovados pelos bancos. "Eles
[bancos] querem outras garantias, que não seja do Estado. Essa situação é
atípica, nunca tinha encontrado este tipo de dificuldade antes", alegou.
Pinheiro contou também que há uma nova promessa de pagamento da Uerj para esta
semana. Cerca de 400 funcionários que trabalham no Hospital Universitário Pedro
Ernesto são terceirizados da Construir Arquitetura.
Fonte: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2014/12/16/uerj-funcionarios-terceirizados-fazem-protesto-contra-salarios-atrasados/
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