Em consulta pública do Senado, 95% contestam reforma trabalhista
Críticos do projeto argumentam que o desmonte da CLT reduz direitos e precariza as condições de trabalho
O Senado abriu uma consulta pública, por meio da
plataforma on-line ecidadania, para que as pessoas opinem sobre o projeto de
"reforma" trabalhista, que tramita na Casa. Os números revelam ampla
rejeição. Até o fechamento desta reportagem, 25.224 pessoas (95% do total) se
manifestam contra a proposta e 1.273, a favor. Em conjunto com a reforma da
Previdência, o projeto desencadeou protestos e a greve geral da última
sexta-feira (28).
A reforma, apresentada pelo governo Michel Temer
(PMDB), sob alegação de necessidade de "modernização", altera a
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em mais de 100 pontos. O Projeto de Lei
6.787, com substitutivo do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), foi aprovado
pelo plenário da Câmara em 26 de abril.
Agora como Projeto de Lei da Câmara (PLC) 38, a
proposta foi lida no plenário do Senado na terça-feira (2). O governo tenta
conduzir em ritmo acelerado, mas já esbarra na oposição, que quer a matéria em
debate nas comissões de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e
Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). A proposta inicial prevê a discussão
apenas nas comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Assuntos Sociais (CAS).
Na quarta (3), representantes de centrais sindicais se reuniram com o líder do
PMDB na Casa, Renan Calheiros (AL).
"Estamos falando de aumento na jornada de
trabalho para 12 horas diárias. Estamos voltando para a escravidão. A reforma
também versa sobre os contratos de trabalho, que serão precarizados",
afirmou a vice-presidente da CUT, Carmen Foro. "É um verdadeiro massacre
(…) As pessoas precisam saber quais são os interesses que motivaram cada
voto", diz o presidente da central, Vagner Freitas.
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