No dia das vítimas de acidentes de trabalho, entidades apontam ‘invisibilidade’ do trabalhador
Governo, técnicos e trabalhadores destacam necessidade de atuação conjunta para prevenir ocorrências. Acidentes mataram 2.500 em 2022
Publicado 28/04/2023 - 17h54
São Paulo – No Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, nesta sexta-feira (28), governo e entidades técnicas e sociais se uniram para uma homenagem e para lembrar que o trabalhador não pode ser “invisibilizado”. Ou mesmo responsabilizado por se acidentar ou adquirir doença em ambientes profissionais. Apenas no ano passado morreram mais de 2.500 pessoas em acidentes. Número certamente menor do que o real, devido à subnotificação.
Nesse sentido, a médica do Trabalho Maria Maeno observou que um dos problema é justamente a emissão de comunicados de acidentes. Assim, as informações disponíveis, que alimentam as estatísticas, “são aquelas que as empresas quiseram declarar”. Ela apontou as consequências negativas, depois do impeachment de Dilma Rousseff, também na regulação, prevenção e fiscalização. “Após o golpe de 2016, as possibilidades de atuação, nessa perspectiva crítica, se reduziram drasticamente”, afirmou Maria Maeno, que atua no Instituto Walter Leser, da Fundação Escola d Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp).
Faltam práticas seguras
Violência no trabalho
Para o procurador Patrick Merísio, do Ministério Público do Trabalho (MPT), as instituições públicas e privadas têm que atuar juntas. “Porque o cenário que enfrentamos é horrível. Enquanto estivermos fazendo este evento, um um dois trabalhadores estarão morrendo ou ficando doentes”, afirmou. Ele lembrou ainda que o Estado brasileiro já foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos devido a uma explosão em fábrica no interior da Bahia, em 1998, que resultou em 60 mortes.
Renê Mendes, da Frente Ampla em Defesa da Saúde dos Trabalhadores (que reúne 55 entidades), falou em “apoio vigilante” e “parceria crítica” com a Fundacentro. E Rodolfo Vilela, do Fórum Acidentes de Trabalho, também defendeu construções conjuntas após enfrentar ataques e desregulamentação. E destacou aqueles que resistiram. “Árvores e sementes que sobreviveram ao tempo de deserto, à tormenta. Não sei se a gente aguentaria mais quatro anos de trevas. O SUS sobreviveu. Não fosse o sus, o que seria do Brasil? Conseguimos sair desse período por um fio. Temos de somar forças agora.”
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