Sobre o método em Marx e Engels
Mira Caetano*
Marx e Engels nunca estiveram voltados para a definição de regras sobre como o fazer sociológico deveria ser conduzido. No entanto, a concepção marxista de método para análise da realidade pode ser também trabalhada no campo da sociologia. Apoiados fortemente na teoria, especialmente na dialética, na busca pela crítica da sociedade o método tem como base a percepção dos conflitos e das contradições postas no mundo material e seus vínculos, nexos e conexões num plano superestrutural. Desta forma, é a crítica da economia política, das bases materiais das diferentes sociedades, que possibilitará a transformação social, ou seja, o caminhar histórico. Na concepção marxiana, a crítica social dá-se através do cotejamento entre as relações de troca e o desenvolvimento das forças produtivas, entendendo as contradições existentes entre elas, e percebendo seu caráter dominante no desenvolvimento histórico.
Partem de uma perspectiva de totalidade, percebendo o que está subsumido na aparência dos processos históricos, declarados como essenciais pelas classes dominantes. Para revelar os reais processos escondidos pelo véu das idéias dominantes não há uma fórmula pré-definida. No entanto, perceber os avanços e retrocessos, as relações recíprocas entre os processos, pesquisar autores, assimilando seus conhecimentos através do processo da crítica e da superação dialética são elementos fundamentais do processo de elaboração da crítica social marxiana.
Na moderna sociedade burguesa, a análise do capital é o ponto inicial e também o final. Isto porque ele é o elemento social essencial que perpassa a totalidade das relações sociais presentes no capitalismo.
Em primeiro lugar, deve-se analisar as determinações gerais (relações de forças, desenvolvimento das forças produtivas), presentes em todas as sociedades; em segundo, procura-se analisar as categorias que dão corpo às classes fundamentais que se chocam na sociedade (formas de propriedade, capital, trabalho), estabelecer e contrapor as relações recíprocas entre elas (capital x trabalho, latifúndio/ indústria); em terceiro, perceber essas relações cristalizadas na organização societal (instituições e seus derivativos); em quarto lugar, entender e explicar as relações num plano internacional, como as relações se desenvolvem entre os diferentes países (mercado mundial, mundialização financeira e crise do capital).
Portanto, pode-se perceber que a ordem em que os processos colocam-se na aparência, não é, necessariamente, a que se utiliza para seu desvendar voltado para uma crítica social. Partir do todo, apoiado fortemente na história, analisar suas partes, retornar ao todo e às partes, notar os conflitos, os processos materiais que negam-se e afirmam-se constantemente uns aos outros é parte da construção de uma análise materialista histórica e dialética.
*Bacharel em Ciências Sociais e Pesquisadora do Observatório do Trabalho no Brasil
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