Militares confirmam eleições parlamentares para dia 28

    Egípcios desconfiam da intenção das Forças Armadas de entregar o governo para civis
24/11/2011
Da Redação

Praça Tahrir - Foto: RNW 
O Conselho Supremo das Forças Armadas confirmou nesta quinta-feira (24) arealização das eleições parlamentares para a próxima segunda-feira (28). A decisão foi anunciada pelo general Mahmoud Shaheen, mas gera dúvidas entre egípcios, que desde o dia 19 realizam novos protestos exigindo a transição do governo militar para um governo civil.
“Não haverá adiamento das eleições. As eleições ocorrerão na data prevista”, afirmou Shaheen. O ministro do Interior, Mansour Al Essawy, entretanto, defendeu o adiamento do pleito em razão das manifestações e disse que integrantes do governo “têm dúvidas sobre a conveniências de eleições”.
Segundo o general Mukhtar El Mallah, os militares não pedirão demissão imediata conforme querem os manifestantes. “[A demissão da Junta Militar] é uma traição à confiança depositada nas nossas mãos pelo povo”, afirmou o general, dizendo que os egípcios devem se concentrar nas eleições parlamentares e não nos protestos, realizados principalmente por jovens – seja mulçumanos ou secularistas.
Desde o último dia 19, o país vive uma nova onda de protesto que reivindica o fim do poder da Junta Militar. As manifestações foram duramente reprimidas pelos militares, que mataram 35 civis, segundo dados oficiais do governo. “[O Conselho das Forças Armadas] lamenta e apresenta suas profundas desculpas pela morte como mártires de filhos leais ao Egito nos recentes acontecimentos da Praça Tahrir”, anunciou as Forças Armadas nesta quinta-feira em página que mantém no Facebook.
As manifestações comumente acontecem no início da tarde, depois que as pessoas saem do trabalho, e permanecem pela noite. Manifestantes disseram que uma trégua havia sido estabelecido à meia noite desta quinta. Eles montaram barricadas na rua que dá acesso ao Ministério do Interior e na rua Mohamed Mahmoud, outros focos de confronto e de violência. Também realizam protestos na Praça Tahrir, ou Praça da Liberdade, símbolo do movimento que tomou conta do país desde fevereiro para exigir mudanças profundas na condução da política.
Os egípcios desconfiam da intenção das Forças Armadas de entregar o governo para civis e reconhecem no marechal Mohammed Hussein Tantawi, chefe do Conselho Supremo das Forças Armadas, uma continuidade do governo anterior. Tantawi assumiu o poder do país depois da renúncia de Hosni Mubarak, em 11 de março deste ano. Ele também fazia parte da equipe governamental do ex-ditador e há suspeitas de que ele orienta a Justiça a promover uma série de adiamentos do julgamento de Mubarak. O próximo está previsto para acontecer em 28 de dezembro.
A classe dos militares possui uma série de privilégios no Egito, como os salários mais altos do funcionalismo público, vantagens para a compra de imóveis e um orçamento secreto para as Forças Armadas. Os civis dizem não querer mais isso.
“É uma dos braços civis e militares para comandar o país. Só que os militares não lutam por uma causa em favor do Estado do Egito, mas para manter seus próprios privilégios, que são muitos, comparando com os demais funcionários públicos. Os militares prometeram fazer a transição políticas para civis até abril de 2012, mas há desconfianças sobre isso no país”, relatou à Agência Brasil o embaixador do Brasil no Egito, Antonio Melantonio Neto.
Os militares não conseguiram cumprir a promessa de que realizariam, em seis meses, eleições livres no país. A eleição para presidente está adiada e prevista para acontecer apenas quando for finalizado o texto de uma nova Constituição, o que pode demorar mais de um ano para se alcançar a estabilidade. 
Com agências

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